Obscuro caminho o da
solidão, era assim que sentia, caminhando devagar com o coração partido pela
saudade e a certeza de que por ali ainda ia passar mais vezes, ainda que sem
querer, não tinha como evitar. De olhos fechados ao som de uma música escutada
apenas pelo seu coração. Ela o avistara, seu primeiro suspiro, submergida pela
força exorbitante daquela sensibilidade forte, presa por aquele olhar
incansável, sente-se enervada. Seu corpo quer fugir, mas sua alma enganada pelo
jeito, pelo toque, pelos olhos quer apegar-se mesmo que lastime a trágica
decisão de mais tarde ficar. Ele a prendia em um mundo de fantasias que criara
pra ela. Lá o dia era sempre mais lindo e as flores não se fechavam jamais.
Molhados pelo dilúvio de carinhos que os cercavam, estagnados no tempo fecha os
olhos da linda moça. O jovem rapaz de roupas de cavalheiro oferece-lhe apenas
uma gota do mel que sempre derramava. Ela o prendia também, o saber era
desconhecido, pois embora transparente, ela jamais se permitia enxergar por
inteiro, sabia quando ficar sabia quando sair. Uma prisão que os tornava mais
livres do que jamais conseguiam ser, era contraditório, mas era ali exatamente
ali que eles se libertavam. Ele abriu os olhos da menina, se vai não a permite
ir. Era demasiado intenso quando se encontravam, mas não permitia ser
acompanhado em seus pensamentos, em seus sentimentos, em seu coração. Para
outra dimensão ele a levará e ao caminho da solidão voltava deixando apenas
acompanhada daquela saudade.
Por: Gleice Cruz
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